10.7.12

ΦΕΣΤΙΒΑΛ ΥΠΕΡΗΦΑΝΕΙΑΣ 2012

Atenas, Orgulho LGBT 2012


Salonica, Orgulho LGBT 2012

25.6.12

Mr GAY ΕΛΛΑΣ 2012 - Mr GAY ΚΥΠΡΟΣ 2012

MISTER GAY GRÉCIA: Argiris Christakis
MISTER GAY CHIPRE: Kiri Spanos

10.6.12

ΣΥΜΠΟΣΙΟ 4


Edwin F. Townsend

“Na verdade, Erixímaco, disse Aristófanes, é de outro modo que tenho a intenção de falar, diferente do teu e do de Pausânias.
Com efeito, parece-me os homens absolutamente não terem percebido o poder do amor, que se o percebessem, os maiores templos e altares lhe preparariam, e os maiores sacrifícios lhe fariam, não como agora que nada disso há em sua honra, quando mais que tudo deve haver. É ele com efeito o deus mais amigo do homem, protetor e médico desses males, de cuja cura dependeria sem dúvida a maior felicidade para o gênero humano. Tentarei eu portanto iniciar-vos em seu poder, e vós o ensinareis aos outros. Mas é preciso primeiro aprenderdes a natureza humana e as suas vicissitudes. Com efeito, nossa natureza outrora não era a mesma que a de agora, mas diferente. Em primeiro lugar, três eram os gêneros da humanidade, não dois como agora, o masculino e o feminino, mas também havia a mais um terceiro, comum a estes dois, do qual resta agora um nome, desaparecida a coisa; andrógino era então um gênero distinto, tanto na formacomo no nome comum aos dois, ao masculino e ao feminino, enquanto agora nada mais é que um nome posto em desonra. Depois, inteiriça era a forma de cada homem, com o dorso redondo, os flancos em círculo; quatro mãos ele tinha, e as pernas o mesmo tanto das mãos, dois rostos sobre um pescoço torneado, semelhantes em tudo; mas a cabeça sobre os dois rostos opostos um ao outro era uma só, e quatro orelhas, dois sexos, e tudo o mais como desses exemplos se poderia supor. E quanto ao seu andar, era também ereto como agora, em qualquer das duas direções que quisesse; mas quando se lançavam a uma rápida corrida, como os que cambalhotando e virando as pernas para cima fazem uma roda, do mesmo modo, apoiando-se nos seus oito membros de então, rapidamente eles se locomoviam em círculo. Eis por que eram três os gêneros, e tal a sua constituição, porque o masculino de início era descendente do sol, o feminino da terra, e o que tinha de ambos era da lua, pois também a lua tem de ambos; e eram assim circulares, tanto eles próprios como a sua locomoção, por terem semelhantes genitores. Eram por conseguinte de uma força e de um vigor terríveis, e uma grande presunção eles tinham; mas voltaramse contra os deuses, e o que diz Homero de Efialtes e de Otes é a eles que se refere, a tentativa de fazer uma escalada ao céu, para investir contra os deuses. Zeus então e os demais deuses puseram-se a deliberar sobre o que se devia fazer com eles, e embaraçavam-se; não podiam nem matá-los e, após fulminá-los como aos gigantes, fazer desaparecer-lhes a raça - pois as honras e os templos que lhes vinham dos homens desapareceriam — nem permitir-lhes que continuassem na impiedade. Depois de laboriosa reflexão, diz Zeus: “Acho que tenho um meio de fazer com que os homens possam existir, mas parem com a intemperança, tornados mais fracos. Agora com efeito, continuou, eu os cortarei a cada um em dois, e ao mesmo tempo eles serão mais fracos e também mais úteis para nós, pelo fato de se terem tomado mais numerosos; e andarão eretos, sobre duas pernas. Se ainda pensarem em arrogância e não quiserem acomodar-se, de novo, disse ele, eu os cortarei em dois, e assim sobre uma só perna eles andarão, saltitando.”
Logo que o disse pôs-se a contar os homens em dois, como os que cortam as sorvas para a conserva, ou como os que cortam ovos com cabelo; a cada um que cortava mandava Apolo voltarlhe o rosto e a banda do pescoço para o lado do corte, a fim de que, contemplando a própria mutilação, fosse mais moderado o homem, e quanto ao mais ele também mandava curar. Apolo torcia-lhes o rosto, e repuxando a pele de todos os lados para o que agora se chama o ventre, como as bolsas que se entrouxam, ele fazia uma só abertura e ligava-a firmemente no meio do ventre, que é o que chamam umbigo. As outras pregas, numerosas, ele se pôs a polir, e a articular os peitos, com um instrumento semelhante ao dos sapateiros quando estão polindo na forma as pregas dos sapatos; umas poucas ele deixou, as que estão à volta do próprio ventre e do umbigo, para lembrança da antiga condição. Por conseguinte, desde que a nossa natureza se mutilou em duas, ansiava cada um por sua própria metade e a ela se unia, e envolvendo-se com as mãos e enlaçando-se um ao outro, no ardor de se confundirem, morriam de fome e de inércia em geral, por nada quererem fazer longe um do outro. E sempre que morria uma das metades e a outra ficava, a que ficava procurava outra e com ela se enlaçava, quer se encontrasse com a metade do todo que era mulher - o que agora chamamos mulher — quer com a de um homem; e assim iam-se destruindo. Tomado de compaixão, Zeus consegue outro expediente, e lhes muda o sexo para a frente - pois até então eles o tinham para fora, e geravam e reproduziam não um no outro, mas na terra, como as cigarras; pondo assim o sexo na frente deles fez com que através dele se processasse a geração um no outro, o macho na fêmea, pelo seguinte, para que no enlace, se fosse um homem a encontrar uma mulher, que ao mesmo tempo gerassem e se fosse constituindo a raça, mas se fosse um homem com um homem, que pelo menos houvesse saciedade em seu convívio e pudessem repousar, voltar ao trabalho e ocupar-se do resto da vida. E então de há tanto tempo que o amor de um pelo outro está implantado nos homens, restaurador da nossa antiga natureza, em sua tentativa de fazer um só de dois e de curar a natureza humana. Cada um de nós portanto é uma téssera complementar de um homem, porque cortado como os linguados, de um só em dois; e procura então cada um o seu próprio complemento. Por conseguinte, todos os homens que são um corte do tipo comum, o que então se chamava andrógino, gostam de mulheres, e a maioria dos adultérios provém deste tipo, assim como também todas as mulheres que gostam de homens e são adúlteras, é deste tipo que provêm.
Todas as mulheres que são o corte de uma mulher não dirige muito sua atenção aos homens, mas antes estão voltadas para as mulheres e as amiguinhas provêm deste tipo. E todos os que são corte de um macho perseguem o macho, e enquanto são crianças, como cortículos do macho, gostam dos homens e se comprazem em deitar-se com os homens e a eles se enlaçar, e são estes os melhores meninos e adolescentes, os de natural mais corajoso. Dizem alguns, é verdade, que eles são despudorados, mas estão mentindo; pois não é por despudor que fazem isso, mas por audácia, coragem e masculinidade, porque acolhem o que lhes é semelhante. Uma prova disso é que, uma vez amadurecidos, são os únicos que chegam a ser homens para a política, os que são desse tipo. E quando se tornam homens, são os jovens que eles amam, e a casamentos e procriação naturalmente eles não lhes dão atenção, embora por lei a isso sejam forçados, mas se contentam em passar a vida um com o outro, solteiros. Assim é que, em geral, tal tipo torna-se amante e amigo do amante, porque está sempre acolhendo o que lhe é aparentado. Quando então se encontra com aquele mesmo que é a sua própria metade, tanto o amante do jovem como qualquer outro, então extraordinárias são as emoções que sentem, de amizade, intimidade e amor, a ponto de não quererem por assim dizer separar-se um do outro nem por um pequeno momento. E os que continuam um com o outro pela vida afora são estes, os quais nem saberiam dizer o que querem que lhes venha da parte de um ao outro. A ninguém com efeito pareceria que se trata de união sexual, e que é porventura em vista disso que um gosta da companhia do outro assim com tanto interesse; ao contrário, que uma coisa quer a alma de cada um, é evidente, a qual coisa ela não pode dizer, mas adivinha o que quer e o indica por enigmas. Se diante deles, deitados no mesmo leito, surgisse Hefesto e com seus instrumentos lhes perguntasse: Que é que quereis, ó homens, ter um do outro?, e se, diante do seu embaraço, de novo lhes perguntasse: Porventura é isso que desejais, ficardes no mesmo lugar o mais possível um para o outro, de modo que nem de noite nem de dia vos separeis um do outro? Pois se é isso que desejais, quero fundir-vos e forjar-vos numa mesma pessoa, de modo que de dois vos tomeis um só e, enquanto viverdes, como uma só pessoa, possais viver ambos em comum, e depois que morrerdes, lá no Hades, em vez de dois ser um só, mortos os dois numa morte comum; mas vede se é isso o vosso amor, e se vos contentais se conseguirdes isso. Depois de ouvir essas palavras, sabemos que nem um só diria que não, ou demonstraria querer outra coisa, mas simplesmente pensaria ter ouvido o que há muito estava desejando, sim, unir-se e confundir-se com o amado e de dois ficarem um só. O motivo disso é que nossa antiga natureza era assim e nós éramos um todo; é portanto ao desejo e procura do todo que se dá o nome de amor. Anteriormente, como estou dizendo, nós éramos um só, e agora é que, por causa da nossa injustiça, fomos separados pelo deus, e como o foram os árcades pelos lacedemônios; é de temer então, se não formos moderados para com os deuses, que de novo sejamos fendidos em dois, e perambulemos tais quais os que nas estelas estão talhados de perfil, serrados na linha do nariz, como os ossos que se fendem.
Pois bem, em vista dessas eventualidades todo homem deve a todos exortar à piedade para com os deuses, a fim de que evitemos uma e alcancemos a outra, na medida em que o Amor nos dirige e comanda. Que ninguém em sua ação se lhe oponha - e se opõe todo aquele que aos deuses setorna odioso - pois amigos do deus e com ele reconciliados descobriremos e conseguiremos o nosso próprio amado, o que agora poucos fazem. E que não me suspeite Erixímaco, fazendo comédia de meu discurso, que é a Pausânias e Agatão que me estou referindo talvez também estes se encontrem no número desses e são ambos de natureza máscula mas eu no entanto estoudizendo a respeito de todos, homens e mulheres, que é assim que nossa raça se tornaria feliz, se plenamente realizássemos o amor, e o seu próprio amado cada um encontrasse, tornado à sua primitiva natureza. E se isso é o melhor, é forçoso que dos casos atuais o que mais se lheavizinha é o melhor, e é este o conseguir um bem amado de natureza conforme ao seu gosto; e
se disso fôssemos glorificar o deus responsável, merecidamente glorificaríamos o Amor, que agora nos é de máxima utilidade, levando-nos ao que nos é familiar, e que para o futuro nos dá as maiores esperanças, se formos piedosos para com os deuses, de restabelecer-nos em nossa primitiva natureza e, depois de nos curar, fazer-nos bem aventurados e felizes.
Eis, Erixímaco, disse ele, o meu discurso sobre o Amor, diferente do teu. Conforme eu te pedi, não faças comédia dele, a fim de que possamos ouvir também os restantes, que dirá cada um deles, ou antes cada um dos dois; pois restam Agatão e Sócrates."

Platão: O Banquete

25.5.12

ΣΥΜΠΟΣΙΟ 3

Paul Freeman (Austrália)

Pausânias: [...] daí então é que se voltam ao que é másculo os inspirados deste amor, afeiçoando-se ao que é de natureza mais forte e que tem mais inteligência. E ainda, no próprio amor aos jovens poder-se-iam reconhecer os que estão movidos exclusivamente por esse tipo de amor;não amam eles, com efeito, os meninos, mas os que já começam a ter juízo, o que se dá quando lhes vêm chegando as barbas. Estão dispostos, penso eu, os que começam desse ponto, a amar para acompanhar toda a vida e viver em comum, e não a enganar e, depois de tomar o jovem em sua inocência e ludibriá-lo, partir à procura de outro. Seria preciso haver uma lei proibindo que se amassem os meninos, a fim de que não se perdesse na incerteza tanto esforço; pois é na verdade incerto o destino dos meninos, a que ponto do vicio ou da virtude eles chegam em seu corpo e sua alma. Ora, se os bons amantes a si mesmos se impõem voluntariamente esta lei, devia-se também a estes amantes populares obrigá-los a lei semelhante, assim como, com as mulheres de condição livre, obrigamo-las na medida do possível a não manter relações amorosas. São estes, com efeito, os que justamente criaram o descrédito, a ponto de alguns ousarem dizer que é vergonhoso o aquiescer aos amantes; e assim o dizem porque são estes os que eles consideram, vendo o seu despropósito e desregramento, pois não é sem dúvida quando feito com moderação e norma que um ato, seja qual for, incorreria em justa censura.

Platão: Simpósio

10.5.12

ΒΑΓΓΕΛΗΣ ΚΥΡΗΣ. ΜΕ ΤΟΝ ΤΡΟΠΟ ΤΟΥ ΤΣΑΡΟΥΧΗ 2





pintura: Yannis Tsarouchis (Grécia)
fotografia: Vangelis Kyris (Grécia)

25.4.12

ΒΑΓΓΕΛΗΣ ΚΥΡΗΣ. ΜΕ ΤΟΝ ΤΡΟΠΟ ΤΟΥ ΤΣΑΡΟΥΧΗ 1







pintura: Yannis Tsarouchis (Grécia)
fotografia: Vangelis Kyris (Grécia)

10.4.12

ΤΟ ΘΕΙΟ ΔΡΑΜΑ



Vanguelis Kiris (Grécia): The holy idol

25.3.12

ΣΥΜΠΟΣΙΟ 2

Aquiles, o filho de Tétis, informado pela mãe de que morreria se matasse
Heitor, enquanto que se o não matasse voltaria à pátria
onde morreria velho, teve a coragem de preferir, ao socorrer
seu amante Pátroclo e vingá-lo, não apenas morrer por ele
mas sucumbir à sua morte; assim é que, admirados a mais
não poder, os deuses excepcionalmente o honraram, porque
em tanta conta ele tinha o amante. Que Ésquilo sem dúvida
fala à toa, quando afirma que Aquiles era amante de Pátroclo,
ele que era mais belo não somente do que este como evidentemente
do que todos os heróis, e ainda imberbe, e além disso
muito mais novo, como diz Homero. [...]
Os deuses honraram a Aquiles enviando-o às ilhas
dos bem-aventurados.

trecho do discurso dο Fedro no "Simpósio" de Platão

10.3.12

ΣΥΜΠΟΣΙΟ 1


Embora de fato os deuses honrem acima de tudo a virtude que vem do amor,
eles admiram, apreciam e recompensam a dedicação do amado ao amante
ainda mais do que a do amante ao amado: pois é mais divino o amante,
já que está possuído pelo deus, do que o amado.


trecho do discurso dο Fedro no "Simpósio" de Platão

25.2.12

ΣΑΠΦΩ. Η ΔΕΚΑΤΗ ΜΟΥΣΑ 4

Simeon Solomon: Safo

Aphrodite em trono de cores e brilhos
imortal de Zeus, urdidora de tramas!
eu te imploro: a dores e mágoas não dobres,
Soberana, meu coração;

mas vem até mim, se jamais no passado,
ouviste ao longe meu grito, e atendeste,
e o palácio do pai deixando,
áureo, tu vieste,

no carro atrelado: conduziam-te rápidos,
lindos pardais sobre a terra sombria,
lado a lado num bater de asas, do céu,
através dos ares,

e pronto chegaram; e tu, Bem-Aventurada,
com um sorriso no teu rosto imortal,
perguntaste por que de novo eu sofria,
e por que de novo eu suplicava;

e o que oara mim eu mais quero,
no coração delirante. Quem de novo, a Persuasiva
deve convencer para o teu amor? Quem
ó Psappha, te contraria?

Pois, ela, que foge, em breve te seguirá;
ela que os recusa, presentes vai fazer;
ela que não te ama, vai te amar em breve,
ainda que não querendo.

Vem, outra vez – agora! Livra-me
desta angústia e alcança para mim,
tu mesma, o que o coração mais deseja:
sê meu Ajudante-em-Comabates!

Safo / Grécia

Joaquim Brasil Fontes: Safo de Lesbos. Poemas y fragmentos (Iluminuras, 2003)

10.2.12

Η ΓΥΝΑΙΚΕΙΑ ΟΜΟΦΥΛΟΦΙΛΙΑ ΣΤΗΝ ΑΡΧΑΙΑ ΕΛΛΑΔΑ


Homossexualidade Feminina na História: do ostracismo à visibilidade social
Lidiany de Lima Cavalcante
A homossexualidade feminina se noticia desde a Antigüidade com informação teórica na Grécia Antiga. Apesar do processo histórico, a homossexualidade feminina não revelou grande expressão, já que apenas a homossexualidade masculina tinha reconhecimento, sendo considerada inclusive como status social aos homens, que se responsabilizavam pela inicialização sexual dos adolescentes, preparando-os na formação masculina.
A expressão da homossexualidade feminina na Grécia mostra-se em poucas referências, as quais podem ser consideradas exemplificando a origem do termo lesbiandade, que tem a caracterização de 'Safo', que foi uma poetisa grega que viveu na cidade Lésbia de Mitilene (capital), ilha de Lesbos que fica ao noroeste do mar Ageu.
Safo que viveu no séc. VII a. C., foi exilada pela ditadura de Pitaco, sendo que morou em Pirra e na Sicília, na Itália, onde se casou e ficou viúva com uma filha chamada Cleis.
De acordo com Após cinco anos de exílio, Safo funda uma escola para mulheres, onde ensinava poesia, música e dança, sendo considerada a primeira escola de aperfeiçoamento da História. Ali Safo acaba se apaixonando por suas discípulas, ressaltando-se principalmente o seu amor por Atis, aquela que vem ser sua maior 'amante'.
De acordo com Lesbos (2003)*, apesar do sentimento de Safo, Atis acaba se apaixonando por um homem, o que leva a Safo dedicar o seguinte poema à sua amante:

Semelhante aos deuses, parece-me que há de ser o feliz
mancebo, que sentado à tua frente, ou ao teu lado,
te contemple e, em silêncio, te ouça a argêntea voz
e o riso abafado do amor. Oh, isso – isso só é bastante
para ferir-me o perfurado coração, fazendo-me tremer
dentro do meu peito!
Pois basta que, por um instante, eu te veja para que,
como por magia, minha voz emudeça; sim, basta isso
para que minha língua se paralise, e eu sinta sob a carne
impalpável fogo a incendiar-me as entranhas.
Meus olhos ficam cegos e um fragor de ondas soa-me
aos ouvidos;
o suor desce-me em rios pelo corpo, um tremor (...).

De acordo com a história, Safo era negra e de baixa estatura, sendo considerada a Décima Musa, contudo, sua poesia sofreu censura pelo conteúdo erotizado, principalmente na Idade Média, pelo tradicionalismo e conservadorismo, tendo restado apenas fragmentos de suas obras (LESBOS, 2003).
Mesmo frente ao contexto da Grécia Antiga a mulher inseria-se no plano secundário, já que poucos escritos ou fragmentos históricos da homossexualidade feminina datam dessa época.

*LESBOS, Safo de. Poemas e Fragmentos de Safo de Lesbos. Tradução Joaquim Brasil Fontes. São Paulo: Iluminuras, 2003.

25.1.12

ΩΔΗ ΣΤΗΝ ΑΦΡΟΔΙΤΗ

Fílippos Margaritis (Grécia, 1810-1892)

Hino de Safo a Afrodite

Em teu trono ofuscante, Afrodite
Sagaz filha eterna de Zeus
eu imploro: não me esmagues
de aflição,
vem a mim agora – como certa vez
ouviste meu longínquo lamento, e cedeste,
e te ausentaste furtivamente da
casa de teu pai
para jungir pássaros em tua áurea
carruagem, e vieste. Vistosos pardais
trouxeram-te ligeira para
a sombria terra,
suas asas vergastando o médio céu.
Feliz, com lábios perenes, sorriste;
“O que há de errado, Safo, por que me
chamaste?
O que deseja o teu tresloucado coração?
Quem deverei fazer amar-te?
Qual delas voltou as costas a ti?
Deixa que ela fuja, logo virá atrás de ti;
Recusei dela os favores; e logo serão teus.
Ela te amará, ainda que não saiba nem queira”.
Vinde pois a mim agora e liberta-me
de espantosa agonia. Labora
por meu tresloucado coração. E sê
de mim aliada.

Safo / Grécia
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